A Central de Movimentos Populares (CMP) participou nesta quarta-feira (19) de uma reunião com diversos movimentos populares e sociais e com a secretária-executiva adjunta da Secretaria-Geral da Presidência da República, Tânia Oliveira, no auditório da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para tratar do evento “Diálogos Amazônicosâ€, atividade que faz parte do debate da Cúpula da Amazônia, a ser realizada de 4 a 9 de agosto, no Hangar Centro de Convenções, em Belém, no Pará.
O evento Diálogos Amazônicos terá a missão de levar as reivindicados dos movimentos à Cúpula da Amazônia. Serão três dias de debate, para em seguida ser formulada uma sÃntese das questões a ser encaminhada aos chefes de Estado dos oito paÃses que integram a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). São eles: BolÃvia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
Paulo Cohen, dirigente nacional da CMP, participou do encontro com Tânia Oliveira e destacou que esse processo de construção coletiva é muito importante, no entanto, ele listou preocupações que vão além das questões diplomáticas entre os paÃses da OTCA. Para o dirigente, os movimentos populares e sociais precisam ser mais ouvidos pelos governantes.
“Muitas reivindicações vão para os documentos e acabam nem sendo executadas. Precisamos de ações concretas como, por exemplo, reformas nas polÃticas urbana e agrária, reforço na proteção dos indÃgenas, quilombolas e ribeirinhas. A região Amazônica requer com urgência polÃticas que gerem trabalho e renda. O governo não pode olhar para essa região apenas em dias de evento. Precisamos de polÃticas públicas permanentes. O povo amazônico tem o pior Ãndice de IDH, temos as piores condições de saneamento, abastecimento de água e somos campeões em doenças tropicais como malária e hepatite. A região não pode ser olhada apenas como um santuário da preservação da biodiversidade. As pessoas que estão aqui têm os mesmos direitos daqueles que vivem em outras regiões do paÃs.  Queremos ser respeitados e valorizadosâ€, disse.

Durante o encontro com a sociedade civil, Tânia Oliveira ressaltou que foi ao local “ouvir os movimentos sociais, e organizar a participação deles no debate ‘Diálogos Amazônicos’. A secretária executiva adjunta da Secretaria-Geral da Presidência da República explicou que nesta sexta-feira, 21, expira o prazo para que organizações sociais apresentem propostas de atividades auto-organizadas.
Ela destacou ainda que o Hangar irá começar o credenciamento presencial para o Diálogos Amazônicos um dia antes do evento, ou seja, dia 3 de agosto, às 9h. Essa antecipação será feita para atender pessoas que por ventura não têm acesso à internet. Avisou também que a inscrição de atividades autossugestionadas não credencia pessoas, isto é, cada participante deve fazer seu credenciamento individual pelo site ou presencialmente.
Simultaneamente com a Cúpula da Amazônia, os movimentos populares e sociais farão atividades paralelas ao evento com o objetivo de chamar a atenção do Brasil e do mundo por melhores condições de vida na região. O cronograma das atividades será divulgado em breve no site e redes sociais da CMP.
Nesta quinta-feira, participaram do encontro com Tânia Oliveira lideranças da Central de Movimentos Populares (CMP),  do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), União Brasileira de Mulheres (UBM), Movimento dos Sem Terra (MST), Movimento Nacional da Luta Antimanicomial (MNLA), Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), União Nacional por Moradia Popular (UNMP), Movimento da Economia Solidária, Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Movimento Todos na Mesma Canoa (Marajó), Marajó Forte, Instituto Amary, Instituto Marajó, Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Cooperativa de Materiais Recicláveis (Concaves), Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Gempac), Instituto Universidade Popular (Unipop), Movimento Juntas, Centro de Estudos e Defesa do Negro (Cedenpa), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), Ação Cidadania, entre outras.