30 anos da CMP: uma história de lutas

Em 2023, a Central de Movimentos Populares completa 30 de luta, motivo de muita comemoração. A história da CMP remonta ao final dos anos 1970, um contexto de ascensão das lutas populares e sindicais no Brasil. Com a piora das condições de vida da população brasileira durante a Ditadura Militar, movimentos de base passam a se organizar e a se somar com as correntes políticas na luta por democracia, participação política, contra a carestia e por melhorias na qualidade de vida.

É nessa conjuntura que, em 1979, teve origem a Articulação Nacional de Movimentos Populares e Sindicais (ANAMPOS), que jogaria importante papel na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1883, e da Central de Movimentos Populares (CMP), em 1993.

A CMP foi criada para articular os diversos movimentos populares urbanos com a finalidade de fortalecer e impulsionar as reivindicações específicas e, diante de movimentos tão diversos, articular lutas de caráter geral e comuns a todos os movimentos, tais como: participação popular, enfrentamento ao neoliberalismo, combate a desigualdade e miséria, além de contribuir com o debate e a defesa de um projeto democrático-popular.

Nesses 30 anos, lutamos contra o neoliberalismo, participamos da conquista de governos populares e estivemos presentes ativamente nas mobilizações contra o golpe, os retrocessos, a prisão injusta de Lula e contra o fascismo. Defendemos a democracia, os direitos e a soberania. Promovemos ações de solidariedade e protestamos contra o desemprego, desigualdade, miséria, fome e violência.

A CMP foi fundada em 31 de outubro de 1993. No início da década de 1990 foi o momento do avanço do neoliberalismo no Brasil, nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Naquele período participamos ativamente do Fórum Terra, Trabalho e Cidadania, espaço de articulação de partidos de esquerda, movimentos populares, sociais e sindicais, que lideraram as mobilizações daquela década contra as politicas neoliberais, especialmente se opondo as privatizações. Naquela década a CMP promoveu e ajudou a organizar caravanas para Brasília com a pauta das politicas públicas e participação popular.  

Nos anos 2000, com a vitória dos governos democráticos e consequentemente a abertura para a participação popular, a CMP participou dos processos das conferências e conselhos, tendo contribuído na formulação de políticas públicas, mas também nos engajamos nos plebiscitos populares contra a ALCA, contra a privatização da Vale, o plebiscito da terra e da Constituinte Exclusiva.   

Nos últimos anos, especialmente a parir de 2015, ampliamos nossa atuação e incidência no cenário político, nos transformando numa das principais entidades de movimentos populares nas mobilizações contra o Golpe, o fascismo, o negacionismo, os retrocessos, em defesa da democracia e pelo Lula livre.  A CMP contribuiu com a articulação de espaços políticos como a Frente Brasil Popular e Campanha Fora Bolsonaro. Estivemos na linha de frente nos protestos de rua pela vacina da covid-19, contra o negacionismo, o fascismo e pelo fora, Bolsonaro.

Parabéns a CMP pelos seus 30 anos de lutas e resistência. Que continue por muito tempo, mais forte e contribuindo na articulação dos movimentos populares para que os mesmos se fortaleçam nos territórios urbanos e na construção de lutas de massas, indispensáveis para o avanço da luta contra o capitalismo e a construção de uma sociedade justa e democrática. 

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