
Uma mulher negra inflável de 14 metros, com faixa presidencial estampando “Mulheres Negras Decidemâ€, abriu caminho para as centenas de caravanas que seguiram rumo à Esplanada dos Ministérios na terça-feira (25), durante a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas ocuparam o coração de BrasÃlia em uma das maiores mobilizações polÃticas do paÃs dos últimos tempos – e entre elas, com protagonismo e força, estavam as mulheres do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP).
De diferentes estados, integrantes do coletivo chegaram à capital federal reafirmando sua história de luta, sua identidade polÃtica e seu compromisso com a construção de um paÃs antirracista. A II Marcha acontece dez anos após a edição histórica de 2015, agora reunindo mulheres negras de todas as regiões brasileiras e representantes de mais de 40 paÃses, impulsionadas pelo mesmo horizonte: reparação, justiça e bem viver.
A concentração teve inÃcio à s 8h, no Museu Nacional, seguida de sessão solene no Congresso Nacional à s 9h. Na Esplanada, o ambiente era de reencontro, celebração e reafirmação de uma luta que segue urgente: enfrentar o racismo institucional, disputar poder e reivindicar polÃticas públicas que garantam dignidade, cuidado, soberania e direitos básicos. O conceito de bem viver, inspirado em tradições afro-diaspóricas e latino-americanas, orientou o ato como um projeto coletivo de sociedade e de futuro.
Protagonismo do Coletivo de Mulheres da CMP

As mulheres da CMP ergueram suas vozes, bandeiras e histórias ao lado de milhares de outras, reafirmando que são parte essencial da construção democrática do paÃs. Para Daniele Rebelo, do Coletivo de Mulheres da CMP de São Paulo, a presença na Marcha simboliza unidade e resistência: “Estamos aqui participando dessa potência que é a Marcha das Mulheres Negras, trazendo as lutas de todas as nossas pautas pelo bem viver, pela reparação e fazendo a luta antirracista. É o Coletivo de Mulheres da CMP participando da II Marcha Nacional das Mulheres Negras.â€
De Minas Gerais, Usania Gomes reforçou o sentido polÃtico e histórico da mobilização: “É um prazer estar aqui hoje na II Marcha das Mulheres Negras por reparação, por direitos, por uma democracia justa. A cidade é uma mulher negra e por isso estamos aqui, firmes na luta.â€
Representando São Paulo, Nani Cruz, do Ceprocig, entidade filiada à CMP, destacou o papel estruturante da mulher negra na sociedade: “O Coletivo de Mulheres da CMP mais uma vez está aqui em BrasÃlia para celebrar a mulher negra, essa mulher incrÃvel, que luta por visibilidade, direitos e vida. Essa mulher tem que ocupar os espaços polÃticos de decisão, afinal ela é o alicerce fundamental da sociedade, que constrói estruturas a cada dia da sua vida.â€
Do Rio de Janeiro, Marluce Lopes fez questão de lembrar que essa luta atravessa gerações e fronteiras: “Estou aqui na Marcha das Mulheres Negras por reparação e bem viver porque a nossa luta vem de muito tempo, vem de muito longe. Viva a Ãfrica, viva o Brasil, viva a Central de Movimentos Populares!â€
Por fim, o sentimento do Coletivo de Mulheres da CMP na marcha é de orgulho pela participação ativa e potente de cada mulher que esteve neste grande evento de luta e celebração. A CMP marchou por todas que vieram antes e por todas que ainda virão. E seguirão marchando até que o bem viver seja realidade para todo o povo negro.







