Milhares de pessoas tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (10), em um grande ato em defesa da taxação dos super-ricos, pelo fim da escala de trabalho 6×1, pela isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e contra a nova tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A Central de Movimentos Populares (CMP) esteve presente na mobilização, que integra a jornada de lutas das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.
A manifestação começou à s 18h em frente ao Masp e seguiu até a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ocupando os dois sentidos da avenida. Além de São Paulo, mobilizações também aconteceram em cidades como Fortaleza, BrasÃlia, Salvador, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte.
Com o mote “Centrão, inimigo do povoâ€, os manifestantes denunciaram a postura do Congresso Nacional, que na mesma semana derrubou o aumento do IOF – que poderia gerar R$ 20 bilhões em arrecadação para polÃticas públicas – e aprovou novos privilégios para os parlamentares, como aposentadoria e salário simultâneos e o aumento do número de deputados.

Para Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP, o ato é um reflexo da indignação popular diante da injustiça tributária no paÃs. “Enquanto a classe trabalhadora carrega nas costas uma das maiores cargas tributárias do mundo, bancos, bets e bilionários seguem isentos. O povo não vai continuar pagando essa conta sozinho. Precisamos taxar os super-ricos, aliviar os impostos para quem ganha menos e garantir direitos, não retrocessosâ€, afirmou.
O protesto também recolheu assinaturas para o Plebiscito Popular, uma consulta nacional que busca ouvir a opinião dos trabalhadores sobre a escala 6×1 e sobre a necessidade urgente de taxação dos mais ricos.
Segundo o Monitor do Debate PolÃtico, projeto da USP em parceria com o Cebrap e a ONG More in Common, o ato na Paulista reuniu cerca de 15,1 mil pessoas no horário de pico, com margem de erro de 12%.

“O que vimos hoje nas ruas é o povo dizendo basta. Basta de privilégios para os de cima e de abandono para quem está na base. A CMP seguirá mobilizada em cada território para construir um Brasil mais justo, com reforma tributária popular e participação popular de verdadeâ€, concluiu Bonfim.



