Raimundo Bonfim, coordenador-geral da Central de Movimentos Populares (CMP), e Roberto Benedito Barbosa, o Dito, coordenador municipal da CMP-SP, publicaram nesta quinta-feira (16) um artigo na Revista Fórum sobre a importante vitória das famÃlias da Favela do Moinho.
Abaixo, segue o artigo na Ãntegra:
Moinho: vitória da mobilização popular e do governo Lula
Nesta quinta-feira (15/05), após intensa mobilização dos movimentos populares na Favela do Moinho e com a presença de representantes de seis ministérios do governo Lula, foi firmado um acordo que representa uma grande vitória para as famÃlias que vivem na comunidade.
Por volta das 15h, após negociações entre o Governo Federal e a Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo, ficou garantido o direito dessas famÃlias a uma moradia digna, totalmente subsidiada – ou seja, sem necessidade de financiamento por 30 anos. Além disso, o valor do auxÃlio aluguel foi ampliado para R$ 1.200, até que as famÃlias tenham acesso à moradia definitiva. Antes, a proposta do governador TarcÃsio de Freitas previa apenas R$ 800 de auxÃlio e um financiamento em que as famÃlias pagariam 20% de sua renda por três décadas.
Pelo novo acordo, cada famÃlia receberá uma moradia no valor de R$ 250 mil, sendo R$ 180 mil custeados pelo governo federal e R$ 70 mil pelo governo estadual – tudo sem qualquer custo para os moradores.
Outra conquista fundamental foi a garantia de que todo o processo será conduzido de forma negociada, sem violência fÃsica ou psicológica. Essa foi uma exigência do governo Lula para autorizar a cessão do terreno ao governo do estado, e representa uma vitória dos moradores, dos movimentos populares e da luta coletiva por justiça social.
Para nós, moradia é uma questão social, não um caso de polÃcia – como pensa e age o governador bolsonarista TarcÃsio de Freitas, que prioriza os interesses da especulação imobiliária e promove a gentrificação, empurrando os pobres para longe dos centros urbanos.
A Favela do Moinho é a última favela ainda existente no centro de São Paulo, localizada no bairro de Campos ElÃseos. Surgiu entre o final da década de 1980 e o inÃcio dos anos 1990. Hoje, cerca de mil famÃlias vivem no local.
A área pertence à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos do governo federal. O governo do estado havia solicitado a cessão do terreno para a construção de um parque. No entanto, a SPU condicionou a transferência à garantia de moradia para todas as famÃlias, com ajustes no plano de reassentamento apresentado pela CDHU, para que ele realmente atendesse à s necessidades da comunidade.
Infelizmente, o governo TarcÃsio descumpriu os acordos, agindo com truculência e terror para forçar a desocupação: helicópteros, cães, cavalaria, tropa de choque e bombas de efeito moral foram usados contra as famÃlias. Até a manhã desta quinta-feira, elas ainda não tinham nenhuma garantia concreta de onde morar.
Nas últimas semanas, parlamentares, lideranças populares e advogados que apoiam a resistência da comunidade também foram alvo da repressão policial. Jornalistas chegaram a ser impedidos de entrar no local para registrar os abusos.
Seguiremos mobilizados e vigilantes para que o acordo seja cumprido integralmente – e para que nenhuma famÃlia da Favela do Moinho sofra mais qualquer tipo de ameaça ou violência. Essa vitória é fruto da resistência e da solidariedade. E a luta continua.
Raimundo Bonfim – Coordenador-geral da Central de Movimentos Populares (CMP)
Roberto Benedito Barbosa – Coordenador municipal da CMP-
A luta continua!