Movimentos populares discutem estratégias para a COP 30 em encontro virtual

O grupo Bem Viver e o Direito à Cidade da Amazônia promoveu na segunda-feira (5/5) um encontro virtual para debater experiências e perspectivas em torno da Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP 30, que acontece em novembro, em Belém, no Pará. A Central de Movimentos Populares (CMP) participou da atividade, que reuniu cerca de 35 pessoas, incluindo lideranças de movimentos populares de diversas regiões do Brasil, além de representantes da Alemanha e da organização internacional Misereor.

O objetivo do encontro foi aprofundar o debate sobre as mudanças climáticas e fortalecer a articulação dos movimentos sociais e populares para uma atuação mais acertiva antes, durante e depois da COP 30.

Luiz Kohara, doutor em arquitetura e urbanismo e assessor de projetos do CAIS (Centro de Assessoria e Apoio às Iniciativas Sociais), destacou a urgência da pauta climática:

“As mudanças climáticas são uma realidade visível e quem mais sofre com os impactos são as populações mais vulnerabilizadas, como indígenas, quilombolas e trabalhadores urbanos mais vulneráveis. No campo, eles vivem nos territórios mais ameaçados e, muitas vezes, são expulsoss para dar lugar a atividades ligadas ao agronegócio, ao capital.”

Segundo ele, o encontro também reforçou a importância do conceito de racismo ambiental, já que são justamente as populações historicamente marginalizadas que vivem nas áreas de maior risco ambiental.

O grupo pretende manter uma agenda de encontros preparatórios até novembro, com o objetivo de capacitar os participantes para uma atuação efetiva na COP 30. “Quem vai para um evento desse porte precisa estar bem informado para conseguir incidir politicamente. Além disso, precisamos garantir que as propostas debatidas na COP se transformem em ações concretas após o evento”, afirmou Kohara.

A presença da Misereor, organização ligada à igreja católica que atua em prol da justiça social e climática, reforçou o apoio internacional às lutas dos movimentos populares. A entidade destacou a importância de fortalecer as vozes das comunidades vulnerabilizadas nos debates sobre o clima.

Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares, também participou do encontro, junto com outras lideranças da CMP, e destacou o papel fundamental da articulação entre os movimentos:

“Apontamos nossas preocupações e perspectivas. Queremos incidir politicamente na COP 30. Uma das nossas inquietações é que os chefes de Estado devem se reunir antes da chegada do grande público no evento, e há o risco de que muitas decisões já estejam tomadas quando a sociedade civil tiver espaço para o debate.”

Durante o encontro, a CMP também apresentou proposta de fazer seminários nas diversas cidades brasileiras em que atua, com foco nos impactos ambientais nas periferias urbanas e na construção de propostas para a COP 30.

O próximo encontro do grupo Bem Viver e Direito à Cidade da Amazônia está previsto para ser realizado ainda neste semestre.

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