A Central de Movimentos Populares (CMP) e a Fiocruz BrasÃlia realizaram de 22 a 26 de abril uma intensa agenda de atividades em São Paulo, fruto do termo de cooperação firmado entre as duas instituições. A parceria tem como objetivo desenvolver projetos nas áreas de soberania alimentar, hortas urbanas, saúde coletiva e cartografia social de territórios populares.
A cooperação é viabilizada com recursos provenientes de emendas parlamentares e prevê ações em Belém (PA), São Paulo e São Bernardo do Campo (SP). Na capital paulista, os debates e as primeiras visitas de campo já ocorreram e tiveram como foco a Escola de Soberania Alimentar da CMP, a implantação de hortas em territórios populares, além de iniciativas voltadas a agentes de saúde.
“Esse projeto com a Fiocruz nos ajuda a retomar a grade de formação em hortas urbanas. Queremos capacitar pessoas para montar pequenos canteiros, sistemas de compostagem e produzir alimentos em áreas de ocupações e conjuntos habitacionais onde a CMP atuaâ€, explica Miriam Hermógenes, coordenadora estadual da CMP-SP.

Hortas urbanas, plantas medicinais e redes comunitárias
Também como parte da parceria, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, a CMP, por meio do MSTL (Movimento de Luta por Moradia) — filiado à Central —, dará inÃcio à implantação de uma horta verticalizada voltada à produção de plantas medicinais em um prédio sob concessão da SPU (Secretaria do Patrimônio da União), no bairro do Rudge Ramos. Na mesma cidade, será desenvolvida outra horta comunitária para produção de hortaliças, desta vez em um terreno cedido pela empresa Enel.
No centro de São Paulo, a CMP iniciará um projeto com agentes comunitários de saúde e conselheiros municipais de saúde, com o objetivo de formar uma rede de atuação progressista no SUS (Sistema Único de Saúde). A proposta é que esses agentes atuem nas UBSs, em ocupações urbanas e em outras frentes, promovendo debates e ações de prevenção a doenças e promoção da saúde coletiva.

Mapeamento de territórios e ciência cidadã
Um dos principais eixos da parceria é a cartografia participativa de territóriospopulares, A ação tem como objetivo mapear riscos e potências nas regiões onde vivem e atuam os movimentos populares, valorizando o saber dos territórios e produzindo dados a partir da ciência cidadã.
“Mapear é também reconhecer potências, visibilizar desigualdades, reivindicar direitos. É fazer da informação uma ferramenta de luta por territórios mais saudáveis, sustentáveis e solidáriosâ€, afirma texto publicado nas redes sociais da Fiocruz.
Durante a semana, houve atividades na sede da CMP em São Paulo, na Fundação Escola de Sociologia e PolÃtica (FESP) – parceira na construção de uma cartografia da região central da cidade – e na Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Bernardo.
A equipe da Fiocruz, que esteve em São Paulo para esse projeto, conta com três agentes de campo, além de um supervisor geral que coordenará as próximas fases do projeto na capital paulista.
