Conferência da CMP debate fortalecimento do SUS, saúde do trabalhador e participação popular

A Central de Movimentos Populares (CMP) realizou, na última segunda-feira (21), a Conferência Livre de Saúde, como parte do processo preparatório para a 5ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. O evento, realizado em formato híbrido, reuniu mais de 230 participantes.

Com o tema “CMP na Luta pela Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora”, o encontro teve como foco principal o debate sobre a participação popular na defesa e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente a partir da vivência de quem mora e trabalha nas periferias. Reforçou-se também a defesa do SUS como política pública universal, gratuita e 100% estatal.

O objetivo central da conferência foi discutir os desafios enfrentados pela classe trabalhadora na área da saúde, diante das novas formas de exploração no mundo do trabalho e da importância de ampliar a participação popular no controle social do SUS.

A mesa de abertura contou com representantes do Ministério da Saúde, da CUT e especialistas em gestão do SUS. Durante os debates, os participantes destacaram a importância do SUS para toda a população, especialmente para mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade. Foi defendido um SUS forte, com mais recursos e participação ativa da sociedade.

A saúde do trabalhador foi outro ponto central do encontro. Houve denúncias sobre sobrecarga, assédio e falta de segurança no trabalho. Participantes defenderam medidas como o reconhecimento de níveis máximos de insalubridade para quem lida com riscos biológicos e ações de prevenção ao adoecimento mental, que tem crescido entre profissionais da saúde.

“Essa conferência mostrou a importância da participação popular e evidenciou que temos propostas concretas para melhorar o SUS. É uma construção coletiva fundamental”, avaliou Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP.

A conferência também alertou sobre a necessidade de ampliar a presença da população preta nos espaços de decisão do Ministério da Saúde. Foram levantadas demandas específicas de vários grupos, como mães solos, pessoas trans e comunidades invisibilizadas nos debates ambientais.

“A defesa do SUS precisa do engajamento popular e do movimento social organizado. Estamos fortalecendo esse caminho. Foi um encontro potente e desafiador. Juntos seguiremos defendendo a saúde pública de qualidade”, afirmou Eduardo Cardoso, da direção nacional da CMP e do núcleo de saúde da central.

Ao final do encontro, foram eleitos quatro delegados(as) e dois suplentes para representar as propostas nos próximos encontros sobre o SUS.

“Enquanto entidade que integra o Conselho Nacional de Saúde, a CMP afunilou a discussão sobre a saúde do trabalhador e da trabalhadora e demonstrou, de fato, o quanto a organização popular tem avançado na defesa do SUS. A maior parte da nossa militância utiliza o Sistema Único de Saúde e temos a consciência de quanto ainda precisamos avançar nesse debate. A CMP está fortalecida e focada para atuar com o tema proposto nos estados em que atua”, concluiu Walter Monteiro, do núcleo de Saúde da CMP e um dos integrantes do Conselho Nacional de Saúde.

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