Inteligência artificial e comunicação popular: aula com Sérgio Amadeu promove debate crítico

A Central de Movimentos Populares (CMP) realizou, no sábado (29/03), em São Paulo, uma aula especial sobre inteligência artificial (IA) e seus impactos na comunicação popular. O encontro foi conduzido pelo professor Sérgio Amadeu, sociólogo e doutor em Ciência Política, e reuniu militantes interessados em entender como essa tecnologia está moldando o presente – e pode influenciar o futuro da organização social.

Com uma linguagem acessível e direta, Amadeu desmistificou o conceito de inteligência artificial, ressaltando que o que se chama de “IA” são, na verdade, sistemas baseados em aprendizado de máquina. “Não há mágica nisso. São programas que analisam grandes volumes de dados, reconhecem padrões e respondem com base em estatísticas. Eles não pensam, apenas calculam”, explicou.

Durante a aula, o professor usou exemplos práticos para mostrar como esses sistemas funcionam. “Imagina ensinar a uma máquina o que é um gato. Você não diz o que é, apenas mostra milhares de imagens rotuladas como ‘gato’. A máquina vai encontrar padrões, como bigodes e orelhas pontudas, e assim passa a identificar o que parece ser um gato. Mas ela não entende o que é um gato. Apenas reproduz o padrão que aprendeu”, destacou.

Além do aspecto técnico, o debate se aprofundou em uma reflexão essencial: quem controla os dados que alimentam essas tecnologias? Amadeu alertou sobre os riscos da entrega de informações sensíveis, como os dados de movimentos sociais, sindicais e programas sociais, a grandes corporações de tecnologia.

“Quando você entrega esses dados para empresas como Amazon, Google ou Meta, está permitindo que eles sejam usados estrategicamente, inclusive para manipular eleições e influenciar o debate público. Isso é grave. Precisamos pensar sobre soberania digital”, alertou.

O professor também abordou o fenômeno das fake news e como a IA pode amplificar essas distorções. Segundo ele, ferramentas como o ChatGPT funcionam com base em grandes bancos de dados e produzem textos a partir da sequência mais provável de palavras. “Mas se a base de dados está cheia de mentiras, a IA vai reproduzir essas mentiras como se fossem verdade”, disse.

Para Amadeu, confiar cegamente nessas tecnologias é um risco. “A verdade não está nas máquinas. A verdade é construída na luta, no diálogo, na consciência crítica. É preciso disputar o uso dessas tecnologias e garantir que elas sirvam ao povo, e não apenas às grandes corporações”.

Veja abaixo a aula na íntegra:

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