A relação entre meio ambiente e espaço urbano está presente em diferentes âmbitos da vida, como no saneamento básico, tratamento de água e esgoto, coleta de lixo, uso e ocupação do solo, proteção das nascentes e florestas urbanas, áreas de proteção e de mananciais, poluição, manejo hÃdrico, energia e barragens. E em todas essas áreas as cidades brasileiras vivem uma verdadeira crise urbano-ambiental, diretamente associada à desigualdade social que atravessa nossa sociedade e produz o espaço urbano. Para debater esse tema, a Central de Movimentos Populares (CMP) realiza o seminário Meio ambiente, desigualdade social e as cidades: Movimentos Populares debatem a crise urbano-social-ambiental. O evento acontece no Rio de Janeiro, em 13 de novembro de 2024, como atividade preparatória da sociedade civil para incidência no encontro do G20, o grupo que reúne as maiores economias do planeta.
A maior parte da população brasileira segue sem acesso a um espaço socio-ambiental sustentável, com moradia, saneamento, coleta regular e seletiva de lixo, arborização e proteção ambiental, do que decorre a importância de debater tal temática entre os movimentos populares. “A luta por polÃticas públicas urbanas participativas e a incidência nas esferas municipal, estadual e federal devem correlacionar o tema urbano e o socioambiental, de modo que as ações da CMP tenham como resultado a efetivação de polÃticas que contribuam para a transformação dessa realidadeâ€, afirma Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP.
Além disso, existe uma correlação entre o tema socioambiental e a soberania alimentar. Nas décadas de 1970 e 80, cerca de 60% dos resÃduos urbanos produzidos no paÃs eram orgânicos. Hoje, esse número é de 40%. Isso significa que a população está consumindo muito mais produtos industrializados. Além da falta de acesso a alimentos, a insegurança alimentar está relacionada com a dificuldade crescente de acesso a uma alimentação saudável, do que decorre a necessária parceria de organizações como a CMP com movimentos camponeses para compra de alimentos. Outra iniciativa fundamental nesse âmbito é a criação de hortas comunitárias urbanas e cozinhas comunitárias. A CMP, além de desenvolver experiências na área, criou uma Escola Nacional de Soberania Alimentar, que tem por objetivo formar lideranças na área de produção de hortas urbanas. Cabe ainda destaque para os desafios da região Amazônica, em que temos atuação com comunidades indÃgenas e ribeirinhas.
CMP participa da Cúpula dos Povos
Paralelo ao encontro do G-20, no Rio de Janeiro, os movimentos populares e organizações da sociedade civil realizam a Cúpula dos Povos, de 16 a 18 de novembro. O objetivo do evento é tratar da falta de compromisso das maiores economias do mundo com a melhoria da vida dos povos, com denúncia das crescentes desigualdades sociais, desmatamento e poluição. Outro tema de destaque será a luta contra o genocÃdio de Israel contra o o povo palestino.
A CMP terá uma delegação de mais de 100 lideranças vindas de todo paÃs. “A conjuntura internacional é muito desafiadora, e o avanço do fascismo e do negacionismo ambiental nos obriga a adotar uma perspectiva internacionalista na organização da luta popular. Por isso, é fundamental nossa presença na Cúpula e a continuidade desses debates no próximo perÃodoâ€, explica Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP.
Movimentos sociais apresentam ‘Carta de Belém’ em GT do G20
A Central de Movimentos Populares (CMP) participou em 31 de outubro de uma mesa de debates do Grupo de Trabalho do G20, em Belém, Pará. O evento teve por objetivo discutir soluções para questões urgentes, especialmente relacionadas à s mudanças climáticas e à atual situação dos povos amazônicos. Com o tema “Equidade em Ação: Acelerando Abordagens Inclusivas para Reduzir o Risco de Desastres,†os movimentos sociais apresentaram a “Carta de Belémâ€, um documento que será encaminhado aos lÃderes das maiores economias globais, com propostas para enfrentar esses desafios.
Marilda Cohen, ex-dirigente da CMP e atual coordenadora de participação popular e diversidades do Ministério das Cidades, foi uma das principais articuladoras do evento. Para Marilda, a abertura de espaço pelo governo federal para vozes da sociedade civil no âmbito do G20 é extremamente significativa. “O GT de Equidade e Redução do Risco de Desastres é fundamental. Belém teve a oportunidade de destacar as experiências dos povos amazônicos e o impacto das mudanças climáticas no Brasil. Os movimentos reuniram propostas em uma carta com 20 pontos, incluindo práticas bem-sucedidas que poderão ser adotadas globalmente. A representatividade foi enorme, e, como alguém oriunda dos movimentos sociais, considero está uma grande oportunidade para construirmos um mundo melhorâ€, afirmou. A abertura do evento contou com intervenção da quilombola Igina Mota, militante da CMP e do Movimento Afrodescendente do Pará (Mocambo). Em seu discurso, Igina expressou a gratidão dos movimentos sociais pela retomada das polÃticas públicas sob o governo Lula, enfatizando que eles têm propostas importantes a apresentar ao mundo. Ela leu a carta elaborada por 15 organizações da sociedade civil, que destaca a proteção ambiental e a justiça social como prioridades. A carta propõe o fim do desmatamento e a proteção dos territórios indÃgenas e tradicionais, com demarcação e regulamentações ambientais rigorosas. Confira a carta aqui.