CMP debate meio ambiente e desigualdade social em seminário no Rio de Janeiro

A Central de Movimentos Populares (CMP) realizou, na quarta-feira (12/11), o seminário “Meio Ambiente, Desigualdade Social e as Cidades” no auditório do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Senge), localizado na Cinelândia, Rio de Janeiro. O evento aconteceu às vésperas do G20 Social, momento em que organizações da sociedade civil irão sistematizar propostas para líderes mundiais, buscando soluções para desafios globais urgentes.

Composição da mesa

A mesa do seminário foi composta por Marluce Lopes, coordenadora estadual da CMP do Rio de Janeiro; Juliana Mello, advogada da Procuradoria do município de Paracambi (RJ); Raimundo Bonfim, coordenador macional da CMP; Marina do MST, deputada estadual (RJ); Sergio Ricardo Potiguara, ambientalista; e Miriam Hermógenes, coordenadora estadual da CMP em São Paulo.

Abertura e relevância do seminário

Raimundo Bonfim abriu o evento saudando o público, majoritariamente composto por militantes da CMP vindos de diferentes regiões do Brasil. “É com muita satisfação que nos reunimos para debater os desafios para os movimentos populares, como a conjuntura política e os caminhos para enfrentar a desigualdade social, a fome e a miséria. Estamos vivendo um momento histórico, com o G20 no Brasil, e parabenizo nossa central pela realização deste seminário”, declarou.

Desafios globais e soluções locais

A Marina do MST, deputada estadual no Rio de Janeiro, ressaltou a importância de o evento ocorrer em um momento de atenção mundial aos grandes desafios globais. Ela destacou temas prioritários como mudanças climáticas e transição justa, a função social da propriedade – abrangendo a luta por terra e moradia –, e o combate à desigualdade social, fome e miséria.

“Os temas discutidos aqui estão no centro das preocupações globais. Nós, enquanto movimentos populares, temos parte das soluções. Que este seminário possa iluminar discussões internacionais com base em nossas práticas, conquistas e resistências”, afirmou Marina, reforçando o papel da CMP em apresentar propostas concretas aos líderes que participam do G20 Social.

O Brasil e os impactos da política global

O seminário também ocorreu dias após a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos, o que trouxe preocupações no debate climático e na política internacional. O ambientalista Sergio Ricardo Potiguara destacou o impacto dessa vitória, referindo-se ao republicano como um negacionista do clima. “O avanço da extrema-direita é alarmante, especialmente entre os jovens. Mais de 40% deles votaram no Trump. Isso pode enfraquecer os debates climáticos globais, fundamentais para países como o Brasil, que dependem de recursos internacionais para recuperar florestas”, afirmou.

Ele também abordou as consequências das guerras e genocídios. “A naturalização das guerras não pode ser aceita. Além das vidas perdidas, os recursos que poderiam ser direcionados a políticas públicas estão sendo canalizados para a indústria armamentista. Precisamos priorizar pautas estratégicas, como o direito à terra, políticas para a juventude e a reavaliação da dívida pública, que consome R$ 1 trilhão em juros anualmente. Construir unidade política é essencial para enfrentar esses desafios”, concluiu.

Privatizações e o Desmonte de Serviços Essenciais

Juliana Mello, advogada da Procuradoria de Paracambi (RJ), destacou a crise fiscal que assola o Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, e criticou a mercantilização de serviços essenciais, como água e energia. Ela relembrou que a lógica privatista se intensificou logo após o golpe de 2016, com a criação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) pelo então presidente Michel Temer.

“Não são empresas preocupadas em gerar empregos ou renda, mas sim fundos de investimento em busca de lucro especulativo. Essa realidade é distante das necessidades da população. Mesmo no governo Lula, muitas pautas progressistas enfrentam obstáculos devido a essa lógica privatista”, pontuou Juliana.

Ela também questionou a efetividade de medidas como a tarifa social da água, garantida às famílias cadastradas no CadÚnico. “Quem assegura que isso funcionará na prática? Precisamos lutar contra a mercantilização da vida e reafirmar a importância dos movimentos sociais. Com o G20 no Brasil, nossa missão é mostrar que, muitas vezes, o básico – como o acesso à água e à terra – é o que mais precisa ser garantido”, concluiu.

Conclusão

O seminário “Meio Ambiente, Desigualdade Social e as Cidades” reafirmou o papel dos movimentos populares na luta por justiça social e ambiental, trazendo contribuições valiosas para o debate global. Em um momento de incertezas e desafios crescentes, a CMP se posiciona como uma voz fundamental, conectando práticas locais a soluções globais.

Assista ao Seminário na Íntegra

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