Fake news: MST não é responsável pelas queimadas no Brasil

As queimadas no Brasil em agosto de 2024 atingiram níveis recordes. Só no
mês passado, foram registrados mais de 13.600 focos de incêndio em Mato
Grosso, o estado mais afetado, que declarou situação de emergência. A
Amazônia foi o bioma mais impactado, seguido pelo Cerrado e a Mata
Atlântica. O estado de São Paulo também enfrentou um aumento alarmante
nos focos de incêndio, especialmente no interior, onde áreas de cultivo de
cana-de-açúcar foram duramente atingidas, evidenciando o impacto ambiental
do agronegócio.

Enquanto o fogo se espalhava pelo país, parlamentares da bancada ruralista
recorreram às redes sociais para espalhar notícias falsas, acusando o
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de estar por trás dos
incêndios. O deputado federal Zé do Trovão (PL-SC) divulgou uma imagem de
uma queimada cujas chamas formavam uma estrela ao redor da letra “L”, com
a palavra “MST” no centro. Já o deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO)
compartilhou o print de uma manchete supostamente publicada no site “A
Província do Pará” em abril, com o título: “MST manda recado a Lula e seus
ministros: ‘Vamos incendiar o agro no Brasil’”.

A página “De Olho na Mentira”, da Central de Movimentos Populares (CMP),
investigou as alegações e, ao consultar o site de checagem Agência Pública,
constatou que a manchete nunca foi publicada pelo site paraense. O texto
original fazia referência às ações do “Abril Vermelho”, quando o MST intensifica
ocupações de terras improdutivas no país.

O MST também divulgou nota repudiando as falsas acusações da bancada
ruralista. De acordo com o movimento sociais, as “alegações sem fundamento
têm como único objetivo desviar a atenção das verdadeiras causas dos
incêndios e nos criminalizar por lutarmos por uma Reforma Agrária justa e
sustentável. O movimento destacou que as queimadas no interior paulista, que
vêm ocorrendo em áreas de produção canavieira, são “sintomas de um modelo
de agronegócio insustentável que domina o campo brasileiro”. 

Durante uma coletiva de imprensa ao lado do presidente Lula e da ministra do
Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, o presidente do Ibama,
Rodrigo Agostinho, afirmou que, até o momento, nenhum incêndio detectado
em São Paulo teve causas naturais. A Polícia Federal abriu dois inquéritos para
investigar a possível ação criminosa por trás dos incêndios. Três suspeitos já
foram presos, dois em São Paulo e um em Goiás, acusados de provocar as
queimadas. Marina Silva sugeriu que as ações podem estar relacionadas ao
“Dia do Fogo” de agosto de 2019, quando produtores rurais na Amazônia se
organizaram para incendiar grandes áreas de floresta.

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