Sociólogo Sergio Amadeu discute papel das Fake News em live promovida pela CMP

A Central de Movimentos Populares (CMP) realizou na quinta-feira (01/08) a live “De Olho na Mentira com o sociólogo e professor Sergio Amadeu, especialista em tecnologia da informação, para falar sobre fake news, suas origens e qual é o impacto que ela causa em nossa sociedade. Logo no início do encontro, que contou com membros da direção nacional da nossa organização, Amadeu destacou que há na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei de Combate às Fake News com o objetivo de regular a atuação nas plataformas digitais, que são os principais meios de disseminação das notícias falsas. Trata-se Projeto de Lei 2630/20 apresentado pelo relator Orlando Silva (PCdoB – SP). Para Amadeu, Bolsonaro é hoje um representante da máquina de desinformação no Brasil. “A extrema direita faz da desinformação uma estratégia política. Eles são fascistas. E o fascismo não suporta a democracia. Ele é autoritário, ele é mais do que conservador”.

Mentira x Verdade

Na live, Amadeu destacou que a desinformação no Brasil e no mundo vai além de notícias falsas, sendo um fenômeno muitas vezes planejado. No encontro, ele explicou quais são as características das mentiras mais propagadas nas redes sociais. “A desinformação que enfrentamos hoje é um projeto político. “É muito difícil a gente definir o que é verdade, mas é possível definir o que é uma mentira. Como? Quando a gente trabalha com fatos. Uma mentira é quando eu digo, por exemplo, que ontem eu não estive no Rio de Janeiro. E na verdade eu estive. Então, é fato que eu estive. E dá para confirmar isso, provando que o que eu fiz foi uma mentira”, disse.

Mentira baseada em opinião

Para além da mentira clássica, o sociólogo explicou que existem nas redes a mentira baseada em opinião, que é quando alguém transforma a sua visão sobre determinado assunto em fatos praticando, assim, a desinformação. Segundo o especialista, essa é uma estratégia bastante utilizada pela extrema direita no Brasil que transforma o tempo todo opinião em fato.

“Neste sentido de desinformação vinda de opinião, está a negação de fatos. Por exemplo, é muito comum os fascistas dizerem que o holocausto não existiu. E o holocausto foi o assassinato em massa de judeus na Segunda Guerra Mundial pelos nazistas. A gente tem fotos, imagens, mas nada é o suficiente para essa gente. Chegamos ao ponto de uma Comissão ir até os campos de extermínios mostrar os resquícios químicos e biológicos, comprovando que ali ocorreu o extermínio de milhões de pessoas. Olha que loucura a tentativa de negar a realidade”, disse.

Fabricação de fatos mentirosos

De acordo com Amadeu, tem um outro tipo de desinformação muito comum no Brasil que é a fabricação de fatos que não ocorreram. Neste sentido, Bolsonaro cometia diversas mentiras em um único dia enquanto ocupou o posto de presidente da República. “Uma delas é a que ele acusou o Greenpeace de ser responsável por óleo em praia do NE. Isso não é um fato, mas ele falava isso e no dia seguinte mudava de assunto. O importante era ele imputar em seus inimigos coisas que eles nunca fizeram. Ele chegou a dar entrevistas dizendo que o Greenpeace era terrorista, cometia crimes ambientais. E depois, ele como presidente da República, não tomou providência nenhum porque era mentira”.

Descontextualização de fatos

Ainda na live, Sergio Amadeu trouxe exemplo de um tipo de desinformação mais complexo que, portanto, merece cuidado e o nosso olhar atento, que é a desinformação gerada a partir de descontextualização de fatos. “Neste caso, é quando tiram algo que ocorreu em um lugar e colocam em outro. “Por exemplo, o Bolsonaro pegou fotos da época do governo Lula, da construção de estadas, e disse que ele estava fazendo a obra. Ele tirou imagens verdadeiras e mudou a data. Então, ele descontextualizou. Tirou do seu contexto”.

Fake Science

Por fim, Amadeu trouxe exemplo de desinformação classificadas como Fake Science, que é a mentira baseada em serviço de interesses econômicos, ideológicos e religiosos. “Neste sentido, uma das principais fake news criadas foi falar que a cloroquina salva pessoas da covid-19. Além de não salvar, os estudo clínicos mostram que ela colocava em risco pessoas cardíacas”, explicou.

Assista a live na íntegra e entenda quais são as consequências da desinformação em nossa sociedade:

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