Cinco mais ricos do mundo dobraram fortunas em 3 anos; No Brasil, elite concentra cada vez mais renda

A fortuna dos cinco homens mais ricos do mundo mais que dobrou desde 2020, passando de US$ 405 bilhões para US$ 869 bilhões, a uma taxa de US$ 14 milhões por hora. No mesmo período, no entanto, quase 5 bilhões de pessoas ficaram mais pobres, segundo dados do relatório Desigualdade S.A., lançado na segunda-feira (15) pela Oxfam.

Segundo o documento, se a tendência atual for mantida, o mundo terá o primeiro trilionário em uma década, enquanto a pobreza poderá levar mais de 200 anos para chegar ao fim.

No Brasil, os dados também revelam desigualdade sem precedentes. Quatro dos cinco bilionários brasileiros mais ricos tiveram aumento de 51% da riqueza desde 2020. Enquanto isso, no mesmo período, 129 milhões de brasileiros ficaram mais pobres. A pessoa mais rica do Brasil tem hoje fortuna equivalente ao que tem a metade da população mais pobre do Brasil.  Ou seja, 107 milhões de indivíduos. O rendimento das pessoas brancas, por exemplo, é mais de 70% superior ao das negras.

Para Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), a desigualdade no Brasil não é acidental. “O aumento da concentração de renda para poucos bilionários e o aumento da miséria para milhões, é resultado do sistema capitalista, responsável pela exploração, destruição do meio ambiente, aquecimento global, aumento da fome e pobreza”.

Renda dos mais ricos cresce três vezes mais do que restante dos brasileiros

Os dados do relatório Oxfam sobre concentração de renda no Brasil vão de encontro com a pesquisa do Observatório de Política Fiscal do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, divulgada nesta quarta-feira (17). O levantamento aponta que a renda da população mais rica do país cresceu, nos últimos anos, até três vezes mais do que os rendimentos da parcela mais pobre. A elite brasileira, que representa 0,01% da população e é composta por um grupo de 15 mil pessoas, viu a sua renda crescer em 95%, entre 2017 e 2022. Já a renda da maioria da população do país (95%) avançou, no mesmo período, 33%.

No grupo que representa 1% da população, formado por cerca de 1,5 milhão de pessoas, a renda média mensal em 2017 estava na casa dos R$ 52,5 mil. Em 2022, o valor saltou para R$ 87,7. O avanço foi de 67%. Por outro lado, a fatia referente a 95% da população do país recebia, em 2017, uma média de R$ 1.748 por mês. Cinco anos depois, a renda média cresceu para apenas R$ 2.332.

Combate à concentração de renda

Para a Oxfam, os governos devem assumir a responsabilidade diante desse cenário e reduzir a desigualdade, obrigando o mercado a ser mais justo e livre do controle dos bilionários. A entidade destaca que o Brasil e o mundo devem intervir para acabar com os monopólios, capacitar os trabalhadores, tributar super-ricos e empresas, com impacto sobre a riqueza permanente e sobre lucros excessivos. A estimativa é que um imposto sobre a riqueza dos milionários e bilionários poderia gerar US$ 1,8 trilhões por ano no mundo.

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