Linha do tempo mostra os 30 anos de luta e resistência da CMP

A Central de Movimentos Populares completa neste mês de outubro 30 anos de luta, motivo de muita comemoração. A história da CMP remonta ao final dos anos 1970, um contexto de ascensão das lutas populares e sindicais no Brasil. Com a piora das condições de vida da população brasileira, durante a Ditadura Militar, movimentos de base passam a se organizar e a se somar com as correntes políticas na luta por democracia, participação política, contra a carestia e por melhorias na qualidade de vida. Veja em 10 tópicos a trajetória da CMP:

Articulação Nacional de Movimentos Populares e Sindicais (Anampos)

Jornal impresso da Anampos – fevereiro de 1989

Em 1979, a luta por melhores condições de vida levou o movimento sindical e os movimentos populares a se unirem em uma ampla proposta da Central Única dos Trabalhadores. Foi neste contexto que teve origem a Articulação Nacional de Movimentos Populares e Sindicais (Anampos) com o objetivo de congregar várias iniciativas de luta por um projeto democrático-popular para o país.

Pró-Central de Movimentos Populares

Frei Betto na articulação da Pro-Central

Anos após a criação da Anampos, decidiu-se que a CUT congregaria apenas entidades de caráter sindical e a articulação dos movimentos populares seguiria sob a responsabilidade de Anampos. Em 1989, com o 8º Encontro Nacional dos Movimentos Populares, foi deliberado a criação da Pró-Central de Movimentos Populares devido a importância da atuação articulada dos movimentos populares nas lutas gerais e comuns no país por direitos, políticas públicas de inclusão social e democracia. A mudança de Anampos para Pró-Central já consolidava o quanto era necessário construir um instrumento para coordenar a articulação das lutas dos movimentos populares urbanos.

Fundação da Central de Movimentos Populares

A década de 1990 foi de avanço do neoliberalismo no Brasil. A situação social do país piorou muito com o agravamento do desemprego e da miséria, o acirramento das lutas urbanas com a expansão do mercado imobiliário e do financismo. Foi neste contexto que, em outubro de 1993, foi realizado o 1º Congresso Nacional de Movimentos Populares, em Belo Horizonte, Minhas Gerais, no qual os 950 delegados e delegadas aprovaram a fundação da Central de Movimentos Populares.

Primeiras atuações da CMP

Primeira caravana organizada pela CMP a Brasília em 1995

Uma vez fundada, a CMP se envolveu nas principais lutas no período como a Campanha Nacional Contra a Fome, Caravanas Nacionais para Brasília, Gritos da Terra e dos Excluídos, resistências contra as privatizações e as marchas por emprego e desenvolvimentos econômico e social. Nos anos 90, a CMP teve papel importante  na criação do Fórum Terra, Trabalho e Cidadania –  espaço de articulação de partidos, movimentos sindicais, populares e sociais para enfrentar a implementação do projeto neoliberal –  e de estatutos como o das cidades, ECA, dentre outros.

Anos 2000

Congresso da CMP em Ipatinga – 2013

Com a vitória dos governos democráticos-populares de Lula e Dilma e, consequentemente, a abertura para a participação popular, a CMP participou dos processos das conferências e conselhos, tendo contribuído na formulação de políticas públicas, mas também se engajou nos plebiscitos populares contra a ALCA, privatização da Vale e o plebiscito da terra e da Constituinte Exclusiva.  Fez parte da luta também a atuação da CMP pela criação do Ministério das Cidades, criação de programas como o Minha Casa Minha Vida, defesa do SUS e a defesa de uma política econômica de geração de emprego e de combate à desigualdade social.

2016/2018

CMP vai às ruas contra o golpe e pelo Fora Temer

A partir de 2016, diante de um golpe em curso no país, o Brasil mergulhou em uma profunda crise política, economia e social. Neste contexto, novamente a CMP teve papel fundamental atuando nas articulações e mobilizações em defesa dos direitos, da democracia e contra o desmontes de programas sociais de inclusão social, somado as lutas contra as privatizações e de corte de investimentos feitos por Michel Temer e Jair Bolsonaro nas áreas sociais. Com o objetivo de fortalecer a resistência popular e defender os direitos do povo, a CMP contribui de forma decisiva na criação da Frente Brasil Popular, em setembro de 2015, frente responsável pela organização de grandes mobilizações de ruas do período. Em 2018, a CMP participou ativamente da Campanha Lula livre.

Pandemia

CMP denuncia fome durante a pandemia da covid-19

A pandemia da covid-19 foi a maior crise sanitária e humanitária da história. Para mitigar os efeitos do coronavírus nas famílias mais vulneráveis, a CMP realizou uma série de ações. Em um momento aonde o isolamento social era a maior arma contra o vírus, a CMP foi às ruas lutar pelo auxílio emergencial permanente, despejo zero, vacina no braço, comida no prato, além de construir campanhas de arrecadação e distribuição de alimentos, sem deixar de cobrar dos governantes políticas públicas de atendimento à população.

Fora Bolsonaro

Militância da CMP nas ruas pelo Fora Bolsonaro

Enquanto o Brasil e o mundo sofriam com as perdas inestimáveis da Covid-19, a CMP foi uma das principais entidades que articulou a criação da Campanha Fora Bolsonaro diante dos escândalos de corrupção envolvendo a compra de vacina e crimes cometidos por Bolsonaro. As mobilizações, que levaram milhares de pessoas a protestarem no país em 2021,  tiveram por objetivo a luta pelo fim da política de morte de Bolsonaro e seu afastamento da presidência da República. Na economia, a reivindicação foi recolocar o povo pobre e trabalhador no orçamento. Na educação e saúde, a CMP lutou para interromper o processo de desmonte e privatização em curso e reestabelecer a perspectiva da efetivação de direitos.

Eleições 2022

CMP nas Brigadas de Agitação por Lula Presidente em 2022

Em 2022, a CMP foi às ruas lutar pela eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A CMP se envolveu nas principais mobilizações do país. De julho a outubro, junto com outros movimentos populares, realizou o ‘Sextou com Lula’ para levar as propostas de governo do candidato progressista aos eleitores, sobretudo das periferias do país. Lula foi reeleito para o seu 3º mandato, em 30 de outubro de 2022, com mais de 60 milhões de votos.

Reconstrução do Brasil

Arte do VII Congresso Nacional da CMP

30 anos após sua fundação, a CMP realiza seu VII Congresso em meio aos desafios de impulsionar a luta pela democracia, direitos e soberania, contra o fascismo, capitalismo e a extrema direita. É hora de reconstruir o Brasil, combatendo a fome, as desigualdades e promovendo a geração de empregos e renda, investimentos na infraestrutura, políticas sociais, participação popular e preservação ambiental.

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