A greve na USP é uma resposta à escassez de professores e às condições precárias de ensino e permanência
Raimundo Bonfim, coordenado nacional da Central de Movimentos Populares, publicou artigo no Portal Brasil 247 sobre a greve de estudantes na Universidade de São Paulo. Veja o texto na Ãntegra:
A juventude sempre desempenhou um papel fundamental nas mobilizações sociais ao longo da história, e o que estamos vendo agora na greve da Universidade de São Paulo (USP) é um exemplo vibrante desse espÃrito combativo e da busca por justiça social. São os jovens que estão à frente, liderando o caminho para um futuro mais justo e igualitário.
As falsas narrativas, que buscam desmoralizar essa ação legÃtima dos estudantes, devem ser combatidas. Desde o primeiro dia de greve, a Universidade de São Paulo não tem ficado vazia, pelo contrário, os estudantes têm buscado encher o espaço de educação, cultura e esporte. São diversas as atividades e oficinas promovidas pelos grevistas que visam debater permanência, gerar conhecimento, a realização de pesquisas, compartilhar saberes diversos e trazer pessoas de fora para conhecer esse espaço público que é a USP. Tudo isso mostra o potencial de luta e o grau de comprometimento com a sociedade que os estudantes brasileiros possuem.
A greve na USP é uma resposta à escassez de professores e à s condições precárias de ensino e permanência. Os estudantes estão lutando. Não apenas por seu direito à educação de qualidade, mas também por um sistema universitário que valorize o ensino e a pesquisa em igual medida. É um grito por uma universidade pública verdadeiramente acessÃvel a todos, independente de sua origem ou condição financeira.
No entanto, essa mobilização vai além das fronteiras da USP. Ela serve como uma centelha para as mobilizações contra o neoliberalismo do governador de São Paulo, TarcÃsio de Freitas. O modelo polÃtico adotado pela administração da USP, vinculada ao governo do estado, é um reflexo das polÃticas neoliberais que priorizam o mercado em detrimento da educação pública. A partir deste exemplo, os estudantes da Unicamp também entraram em greve nesta semana.
Os estudantes estão mostrando que não vão se calar diante dessas polÃticas que ameaçam o acesso à educação e à cultura. Eles estão unidos em sua determinação de resistir ao desmonte das faculdades de ciências humanas em favor de cursos que privilegiam o mercado financeiro. Essa é uma luta por um ensino que valoriza a formação integral do indivÃduo, não apenas sua capacidade de gerar lucro.