Centenas de militantes do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP), de 12 estados, estão em BrasÃlia para a 7ª Marcha das Margaridas. O evento, coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), federações e sindicatos filiados e 16 organizações parceiras, ocorre a cada quatro anos e a edição de 2023 tem o lema Pela Reconstrução do Brasil e pelo bem viver.
Nesta terça-feira (15), durante a abertura polÃtica da Marcha, no Pavilhão do Parque da Cidade, as mulheres da CMP fizeram um live (veja aqui) abordando a importância do evento e detalhando o legado de Margarida Maria Alves, trabalhadora rural e lÃder sindical, assassinada em 12 de agosto, de 1983, na porta de sua casa, por sua atuação na luta pelo direito à terra, reforma agrária, educação, igualdade e por uma vida digna aos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Â
Em BrasÃlia, o Coletivo de Mulheres da CMP se somará a outras 100 mil companheiras de todo o Brasil para a maior ação polÃtica de mulheres da América Latina. Usânia Aparecida Gomes, da direção nacional da CMP, destacou na live que é com alegria que as mulheres da Central de Movimentos Populares participam da 7ª edição do evento.
“Nos organizamos e conseguimos enviar ônibus com mulheres de vários estados brasileiros. Mulheres dos quatro cantos do paÃs estão em BrasÃlia para entregar ao presidente Lula um documento com as nossas reivindicações. Parabenizo cada companheira pela disposição de lutar pelos nossos direitos. Estamos no caminho certo, organizadas coletivamente, pela reconstrução do paÃsâ€, disse.



Durante a live, Emilene Dias, da coordenação do MSTL, entidade filiada à CMP, mostrou flashes da abertura polÃtica da Marcha, no Pavilhão do Parque da Cidade. O evento contou com a presença de 13 ministros do governo Lula. Entre eles, estava a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, que confirmou que o governo federal fará anúncios relacionados as reivindicações da marcha. “Quando as mulheres marcham, não marcham só por elas, marcham pelo Brasil, pelos filhos, pela vida, pela dignidade, cidadania e democraciaâ€, disse.
Melayne Macedo, coordenadora de Formação PolÃtica da CMP, destaca que após a derrota do governo fascista de Jair Bolsonaro, restabelecer a agenda de lutas das mulheres nas ruas, com a Marcha das Margaridas, por exemplo, é um processo de aprendizado enorme e histórico. Ela explica que essa edição “foi organizada em 13 eixos que vão desde a autonomia e liberdade das mulheres até o poder e a participação nossa na polÃticaâ€. (Veja abaixo os 14 pontos).
Legado de Margarida Maria Alves
Genilce Gomes, do Coletivo de Mulheres da CMP, enalteceu na live a trajetória polÃtica de Margarida Maria Alves. Ela lembrou da frase da trabalhadora rural de que ‘é melhor morrer na luta do que morrer de fome’ e ressaltou que é com essa disposição que mulheres do campo, da cidade, das florestas e dos rios seguem em BrasÃlia lutando por melhores condições de vida para todo o povo brasileiro.
“Margarida foi um lÃder sindical paraibana. Ela nunca abandonou a luta da classe trabalhadora e, em 12 de agosto de 1983, foi assassinada na porta da sua casa. Somente após 17 anos de sua morte, foi realizada a primeira marcha das mulheres. O crime contra Margarida levou o mandante dessa tragédia para o banco dos réus. A Marcha das Margarida hoje é uma das maiores ações coletivas do nosso paÃs. Por essa razão, a CMP faz questão de estar presente, se organizando com ônibus, vaquinhas, nesse processo emancipatório para todas nósâ€, enfatizou.
Veja abaixo os 13 pontos de reivindicações da 7ª Marcha das Margaridas:
- Democracia participativa e soberania popular;
- Poder e participação polÃtica das mulheres;
- Vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo;
- Autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade;
- Proteção da natureza com justiça ambiental e climática;
- Autodeterminação dos povos, com soberania alimentar, hÃdrica e energética;
- Democratização do acesso à terra e garantia dos direitos territoriais e dos maretórios;
- Direito de acesso e uso da biodiversidade, defesa dos bens comuns;
- Vida saudável com agroecologia e segurança alimentar e nutricional;
- Autonomia econômica, inclusão produtiva, trabalho e renda;
- Saúde, Previdência e Assistência Social pública, universal e solidária;
- Educação Pública não sexista e antirracista e direito à educação do e no campo;
- Universalização do acesso à internet e inclusão digital.