Coletivo de Mulheres da CMP participa da 7ª Marcha das Margaridas em Brasília

O Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP) se prepara para participar da 7ª Marcha das Margaridas, na próxima quarta-feira (16), em Brasília. Cerca de 100 mulheres da CMP, de pelo menos cinco estados, estarão na capital federal para participar desta mobilização história na luta das mulheres por direito e igualdade. O evento contará, no entanto, com aproximadamente 100 mil companheiras de todo o Brasil e da América Latina.

A Marcha é inspirada na vida e luta de Margarida Maria Alves, trabalhadora rural e líder sindical que esteve a frende do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, por 12 anos, rompendo e desafiando padrões de gêneros impostos para esse tipo de atuação. Margarida defendeu e lutou incansavelmente por direito à terra, pela reforma agrária, por educação, por igualdade e por uma vida digna aos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Por causa de sua atuação, foi assassinada em 12 de agosto de 1983 na porta de sua casa e se tornou símbolo da luta por melhores condições, por justiça e igualdade.

Nani Cruz, da direção nacional da Central de Movimentos Populares, destaca que a expectativa é grande para o evento e que, mais uma vez, milhares de brasileiras marcharão contra o machismo, o patriarcado e por melhores condições de vida. Ela conta que as mulheres da CMP, em parceria com mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), começam a chegar em Brasília na segunda-feira (14).

“Nós somos mães, dona de casa, trabalhadoras, somos os alicerces dessa sociedade. Lutamos para que não nos vejam como objeto e respeitem o nosso corpo. Lutamos para trazer sustento para nossos filhos, muitas de nós somos mães solos. Vamos às ruas batalhar pelos nossos direitos inspirados na luta de Margarida”, disse.

Em 2022, foram registrados 2.423 casos de violência contra a mulher, segundo dados do “boletim Elas vivem: dados que não se calam”. Desse total, 495 deles resultaram em feminicídio. São Paulo e Rio de Janeiro têm os números mais preocupantes, concentrando quase 60% do total de casos. A pesquisa foi realizada nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e Piauí, os dois últimos monitorados pela primeira vez.

“Esses dados não podem ser normalizados. São Paulo e Rio de Janeiro são um dos estados mais rico do nosso país. Isso mostra o quanto o capitalismo tem ceifado nossas vidas. Precisamos de um olhar sensível dos governos com criação de políticas públicas capazes de preservar nossas vidas. Queremos também cada vez mulheres em cargos de comando desse país. O Brasil precisa de mulheres no primeiro escalão dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário”, reivindica Nani. 

A 7ª Marcha das Margaridas também contará com diversas atividades simultâneas, com oficinas, debates, rodas de conversa, exibição de vídeos, práticas integrativas e complementares em saúde, apresentações culturais, plenárias, entre outras. Abaixo segue a programação.

CMP Brasil © Todos os direitos Reservados.