Central dos Movimentos Populares promove “Barqueata”, em Belém do Pará

Durante o Diálogos Amazônicos, a Central dos Movimentos Populares (CMP/PA) junto ao Movimento de Atingidos por Barragens (MAB/PA) promoveram uma barqueada (comitiva de barcos) no rio Guamá, em Belém, no Pará, em protesto a atual situação dos povos ribeirinhos. A barqueata saiu do Porto Santa Izabel até o Mercado do Ver-O-Peso, na manhã desta segunda-feira (7).

Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP, participou do ato e chamou a atenção também para defesa dos rios, das águas, da floresta, contra a exploração predatória da Amazônia. “Fazer esta ação no Rio Guamá é muito simbólico, pois uma das nossas defesas é a perversão dos rios, ou seja, das águas como fonte de vida para o povo Amazônico. Parabéns a toda a nossa militância aqui do Pará que realizou esse grande ato para denunciar e chamar a atenção do poder público para os reais problemas da região”, disse.

Paulo Cohen, coordenador estadual da CMP do Pará, comemorou o sucesso da barqueada, que ocorreu sem nenhuma complicação e represento muita resistência do povo amazônia. “Fizemos um ato muito tranquilo e representativo para essa população. Esperamos ser percebidos pelos presidentes durante a Cúpula”, completou.

Belém é composta por 42 ilhas, nas quais, as principais, são agrupadas nas regiões Noroeste (Onças, Cotijuba, Jutuba, Paquetá), Norte (Caratateua/Outeiro e Mosqueiro) e Sul (Combú e Murutucu) (CODEM, 2012). As principais reivindicações dos moradores são a falta de acessibilidade segura para as atividades no centro urbano.

Só em 2022, a Marinha do Brasil apontou 60 registros de ocorrência navais na localidade como naufrágios (24); acidentes com pessoas em geral a bordo (4); encalhes (7); incêndios (4); deriva da embarcação (4); abalroamento (11); colisão (1); e quedas de pessoas na água (5).

O ato contou com a participação de moradores das ilhas e de organizações dos movimentos sociais.

Segurança

Para garantir a segurança dos militantes, a CMP capacitou cerca de 65 profissionais navais da Cooperativa de Transporte Escolar das Ilhas de Belém e Adjacentes em parceria com a Capitania Naval. Segundo o diretor de Relações Públicas da CMP, Jair Bezerra, a iniciativa é também uma forma de demonstrar a preocupação para a segurança e para os índices de naufrágios na região.

“Essa é uma forma da Central fazer o seu papel como a organização que articula políticas públicas para o povo e garantir o direito da vida e bem viver do povo ribeirinho.  A Amazônia precisa ser valorizada e o povo que vive nela também. Hoje fizemos esse ato para chamar atenção sobre os problemas que os ribeirinhos vivem”, afirmou.

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