Você sabe em qual contexto foi fundada a CMP e como se deu a sua trajetória nesses 30 de lutas e resistência?

Na década de 90, em meio ao avanço do neoliberalismo no Brasil, nos governos Collor, Itamar e Fernando Henrique Cardoso, a situação social no país piorou muito com o agravamento do desemprego e da miséria, o acirramento das lutas urbanas com a expansão do mercado imobiliário e do financismo, diminuição do papel do Estado e desmonte de políticas públicas.

Foi nesse contexto que a resistência popular também avançou no país. E, em outubro de 1993, em Belo Horizonte, Minas Gerais, os movimentos populares unidos realizaram o I Congresso Nacional de Movimentos Populares, fundando a Central de Movimentos Populares. Até então, a luta dos movimentos era de abrangência local, no máximo municipal ou estadual, em diversas iniciativas de luta por um projeto democrático-popular.

No Congresso em Belo Horizonte, estiveram presentes 950 delegados(as) de 22 estados do País, representando vários movimentos, dentre os quais o de negros, mulheres, crianças e adolescentes, LGBTQIAPN+, população em situação de rua,  movimento por transporte, moradia, sem teto, saúde, saneamento, direitos humanos, entre outros, refletindo a amplitude e a diversidade dos movimentos populares brasileiros. 

Estiveram presentes também na Fundação da CMP lideranças da CUT, MST, e PT, o educador socil Frei Beto, a ministra das Mulheres, Aparecida Gonçalves, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a atriz Letícia Sabatela, o ator Ângelo Antônio, e o nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma vez fundada, nossa central se envolveu nas principais lutas nestes 30 anos de existência. Vale citar, por exemplo, a campanha nacional contra a fome, as caravanas nacionais para Brasília em defesa dos direitos e políticas públicas, reforma urbana, os Gritos dos Excluídos (as), a resistência contra as privatizações e as marchas por emprego e desenvolvimento econômico e social. A CMP também esteve envolvida na construção dos primeiros conselhos de políticas públicas, principalmente  o de saúde, criança e adolescente e cidades. Nos anos de 1990, a CMP participou e teve papel importante na criação do Fórum Terra, Trabalho e Cidadania, espaço de articulação de partidos, movimentos sindicais, populares e socias para enfrentar a implementação do projeto neoliberal.

Dedes de 2015, a CMP se transformou na principal articulação dos movimentos populares urbanos na resistência contra os retrocessos, tendo desempenhado papel de destaque nas articulações e mobilizações contra o Golpe contra a presidenta Dilma, os retrocessos nos governos Temer e Bolsonaro, na luta contra a prisão injusta do presidente Lula, nas mobilizações pelo Fora Bolsonaro e na eleição do presidente Lula, e ativa articulação e participação na construção de espaços políticos como a Frente Brasil Popular e Campanha Fora Bolsonaro.

A missão da CMP é fortalecer a luta específica de cada movimento filiado e, ao mesmo tempo, articular e construir lutas comuns dos movimentos populares, sendo seu principal eixo de atuação a luta e a defesa das políticas públicas com participação popular, para superar a desigualdade social, a miséria e a fome, disputar hegemonia na sociedade e acumular forças no sentido de construirmos uma sociedade justa, democrática e socialista.

Para comemorar nossas três décadas de existência, de 26 a 29 de outubro deste ano, realizaremos em Salvador, na Bahia, nosso VII Congresso Nacional. Acompanhe as nossas redes e fique por dentro de toda a nossa programação.

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