Milhares de sem teto foram à s ruas nesta quinta-feira (17) contra os despejos durante a crise sanitária e econômica que assolam o paÃs. Movimentos populares realizaram atos em pelo menos 20 cidades, em 18 estados, reivindicando a prorrogação da validade, no Supremo Tribunal Federal (STF), da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828, que impede remoções e desocupações enquanto perdurar a pandemia da Covid-19.
No campo e na cidade, mais de 132 mil famÃlias estão ameaçadas de despejos. Nos últimos dois anos, mesmo com a vigência de diversas medidas judiciais para impedir remoções, mais de 27 mil famÃlias foram despejadas. Apesar da violência do estado contra as famÃlias mais vulneráveis, 106 despejos foram suspensos na pandemia com base na ADPF 828, evitando que mais de 22 mil famÃlias perdessem suas casas. Os dados são da Campanha Despejo Zero, que reúne informações sobre remoções desde março de 2020.
No final da mobilização nacional, a Central de Movimentos Populares (CMP), representada pela dirigente Cristiane Pereira dos Santos, outros movimentos populares e parlamentares protocolaram na Suprema Corte um pedido de prorrogação da APDF 828. “O ato aqui em frente ao Congresso Nacional foi pacÃfico. Contamos com o apoio do deputado Paulo Teixeira (PT) e da deputada Fernanda Melchionna (PSOL). Após a mobilização, fomos ao STF protocolar o pedido de prorrogação da liminar que impede despejos no paÃs. Também solicitamos uma audiência com a equipe do ministro LuÃs Roberto Barroso e, felizmente, fomos muito bem recebidosâ€, explicou a dirigente da CMP.
Mais de 10 mil pessoas na Avenida Paulista
Com mais de 42 mil famÃlias ameaçadas de despejos em São Paulo, a Avenida Paulista reuniu nesta tarde mais de 10 mil pessoas em um forte apelo contra as remoções. A manifestação fechou as duas vias da principal avenida da capital paulista, na altura do vão livre do Masp. Mais cedo, um grupo de manifestantes também protocolou no Tribunal de Justiça de São Paulo um pedido de prorrogação da ADPF 828. Na ocasião, uma comissão foi recebida por representantes do judiciário.




Segundo dados da Campanha Despejo Zero, o estado de São Paulo lidera o ranking de pessoas que podem ficar sem teto no paÃs, seguido do Rio de Janeiro, com a remoção de 5.560 famÃlias, e Amazonas, com 3.731. Exatas 6.017 famÃlias foram retiradas de seus lares no estado paulista.
“A mobilização foi gigante em São Paulo. Somente a nossa luta poderá garantir dignidade a essas famÃlias. Despejar mais de 500 mil pessoas em meio à crise sanitária, social e econômica será uma tragédia para história do nosso paÃs. Moradia é direito. Não vamos permitir essa violência em São Paulo e em lugar nenhum do Brasilâ€, disse Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP.
Mais de 3.500 famÃlias estão em risco no PiauÃ





Com cartazes e carro de som, centenas de pessoas tomaram à s ruas em Teresina, no PiauÃ, nesta tarde, pedindo a prorrogação da ADPF 828. Nas faixas, cartolinas e vestimentas a mensagem era clara: “Lar é uma Moradia Onde existe Amorâ€. No estado, mais de 3.500 famÃlias estão convivendo com o fantasma do despejo.
Neide Carvalho, dirigente estadual da CMP no PiauÃ, destacou que uma famÃlia que vive com menos de 1 salário-mÃnimo está na linha de miséria. “São milhares de famÃlias em risco aqui no PiauÃ. Hoje nós viemos trazer a nossa luta e solidariedade a quem não consegue pagar um aluguel. O Brasil tem mais de 13 milhões de desempregados, as pessoas estão passando fome. O custo de vida aumentou significativamente. No Brasil de Bolsonaro não temos um minuto de sossegoâ€, disse a dirigente.
Sem dinheiro para comer






Sob sol forte, movimentos populares também protestaram na Cinelândia, região central do Rio de Janeiro, contra as remoções no paÃs. O ato ocorreu em frente ao Tribunal de Justiça, que também recebeu um pedido de prorrogação da medida que impede despejos no paÃs.
No estado, quase 6 mil famÃlias correm risco de serem despejadas. O drama da moradia só fez aumentar no Rio de Janeiro com o desastre ambiental que atingiu Petrópolis. A tragédia matou 233 pessoas e deixou mais de 600 desabrigados.
“Aqui no Rio, como em todo Brasil, a população não tem dinheiro para comer, comprar gás, quanto mais pagar aluguel ou comprar casa. Por isso, estamos nas ruas e pedimos pelo despejo zero. Não dá para aceitar um absurdo desse. A pandemia não acabou. Moradia é um dever do Estadoâ€, disse Ângela Maria Cassiano, da direção da CMP-RJ.
Mães solo podem ficar no olho da rua




Em Belém do Pará, movimentos populares participaram da mobilização em frente ao Tribunal de Justiça do Estado cobrando o direito constitucional de moradia contra as ameaças de despejo que estão suspensas devido ao ADFP 828. Durante o ato, os manifestantes ecoavam “Prorroga STF”, “Resolva o problema da Moradia”, “Despejo na pandemia é crime!”, “É pela vida das famÃlias do campo e da cidade”.
“O contexto da pandemia aprofundou ainda mais as desigualdades sociais, raciais e de gênero. O perfil das famÃlias a serem despejadas são majoritariamente lideradas por mulheres, mães solos e mulheres negras, impactando inclusive crianças e idosos. No Pará, seguiremos no diálogo com a sociedade e o poder públicoâ€, explica Paulo Cohen, da direção nacional da CMP.
10 mil famÃlias em risco em Rondônia








Em Porto Velho, a mobilização também ocorreu em frente ao Tribunal de Justiça de Rondônia. Durante o evento, várias organizações do campo e da cidade se mobilizaram para que o judiciário prolongue a proibição das remoções. Em Rondônia, os despejos ameaçam mais de 10 mil famÃlias.
“Fizemos uma mobilização pacÃfica com a participação de pessoas de diversas entidades e movimentos populares e pastorais sociais. O ato teve inÃcio com a fala dos representantes das entidades e logo em seguida protocolamos o nosso manifesto junto ao Tribunal de Justiça de Rondônia. Não ao despejo. Nós vamos vencer essa lutaâ€, finaliza Eliel Cunha, coordenador da CMP em Rondônia.