
Cerca de 60 residências destruÃdas. Por volta de 120 pessoas desabrigadas. E uma quantidade de medo que é impossÃvel de ser calculada ou ilustrada com números. Foi este o cenário ao qual amanheceu uma comunidade inteira da Zona Noroeste de Santos após um incêndio ocorrido durante a madrugada da véspera do feriado de Tiradentes e também cercada por medo da pandemia de coronavÃrus que assola o planeta. Ninguém ficou ferido.
A dona de casa Marlei Paes Ramos, de 55 anos, diz que as chamas começaram por volta das 3h desta segunda-feira (20). Apesar de nenhum dos moradores do Caminho da Divisa saber apontar o que deu inÃcio ao incêndio, a maioria deles afirma que as chamas começaram nos fundos da comunidade, em uma área à s margens do córrego que segue até a Avenida Penedo, no sentido São Vicente.
Após ter se iniciado, o fogo se alastrou para as residências de madeira que ficam mais perto da Rua Caminho da Divisa, que fica próxima da Rua Doutor Flor Horácio Cyrillo. Inicialmente, cerca de oito veÃculos do Corpo de Bombeiros e ao menos cinco viaturas da PolÃcia Militar foram deslocadas até o trecho para auxiliar as vÃtimas do incêndio.
“Os bombeiros chegaram bem rápido até, não demoraram muito não, mas a gente teve que sair à s pressas, não deu tempo de salvar nada. Já faz tempo que dizem que vamos sair daqui, mas nada aconteceâ€, afirma Marlei.
Apesar de informações iniciais terem considerado que ao menos dez residências teriam sido atingidas pelas chamas, os próprios moradores afirmaram ao Diário do Litoral que esse número é muito maior e que os desabrigados sem dúvidas chegam aos três dÃgitos.
“Pode ter certeza que foram pelo menos umas 30 casas e em cada uma delas tinham famÃlias de quatro ou cinco pessoas, então é muita gente que assim como eu, perdeu tudo. Só saÃmos com a roupa do corpo, até os remédios do meu marido, que tem problema no coração, eu não pude pegar antes da gente sair correndoâ€, explica a dona de casa.
Moradora do local há 55 anos, Marlei é vizinha da vigilante Marcia Regina, que diz que teve um pouco mais de sorte quando começou a ouvir os primeiros gritos devido ao inÃcio das chamas.
“Eu ainda consegui salvar algumas roupas, a nossa geladeira, mas foi só isso. Ainda bem que ninguém ficou ferido, mas teve bem mais gente que teve muito menos sorte do que a genteâ€, explica.
No momento em que a Reportagem esteve no local, por volta das 10h desta segunda-feira, alguns moradores desabrigados retornavam para a região do incêndio alegando que haviam acabado de conversar com funcionários da Prefeitura de Santos e dizendo que todas as pessoas que haviam perdido suas casas seriam encaminhadas para abrigos da região.
“Eu não posso acreditar nisso, as escolas estão todas fechadas, estão livres e ao invés de nos colocar nelas, onde tem espaço, eles vão nos mandar para abrigos com um monte de gente amontoada. E o coronavÃrus? Como é que fica? Eles falam pra gente não se aglomerar, mas agora vão colocar a gente tudo que nem bicho um cima do outroâ€, afirmou uma moradora ao gritos e que não se identificou ao Diário do Litoral.
Segundo apurado pela Reportagem, os moradores serão enviados para abrigos em diversas cidades da Baixada Santista e ao menos Santos, São Vicente e Praia Grande estão entre os municÃpios que receberão estas pessoas já durante esta semana.
De acordo com a Prefeitura de Santos, profissionais da Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos realizarão o cadastramento das famÃlias que perderam suas casas e objetos na Unidade Municipal de Ensino Yara Santini, que fica na Rua Fausto Félicio Brusarosco, s/nº, no bairro jardim Castelo.